Memorial de Aires

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Descrição

Título: Memorial de Aires

Autor: Machado de Assis (1838-1908)

Estante: Literatura Brasileira (romance)

Editora: Ediouro (Rio de Janeiro)

Ano da edição: 1996

Número da edição: 13 ed.

Dimensões: 21 cm x 12 cm x 1 cm

Encadernação: Brochura

Orelhas: Originalmente sem orelhas.

Apresentação: M. Cavalcanti Proença (biografia de Machado, introdução e notas)

Idioma: Português

Páginas: 116 p.

Peso: 172 g.

ISBN: 85-00-91317-7

Estoque: um exemplar.

Estado do livro: Usado, regular.

Cadastrado em: 10.07.2018

Observação: Inclui um encarte com exercícios de interpretação do livro.

Mais informações: Usado, estado entre bom e regular.  Páginas e laterais amareladas pelo tempo, leve marca de dobra, até a página 20, na ponta inferior direita.  Porém, nada que prejudique a leitura, que pode ser feita com conforto. Sem dedicatória, sem nomes manuscritos, sem riscos, sem sublinhados, sem marcas de fita adesiva, sem furos, sem manchas de umidade.  Capa e lombada firmes, bem presas.  // “Memorial de Aires” é o último romance que nos deixou Machado de Assis, no ano de sua morte, 1908.  Conforme outras obras de Machado, a história é narrada pelo protagonista, o conselheiro Aires, que também foi um personagem de outro romance machadiano: “Esaú e Jacó” (de 1904).  Essa, no entanto, é uma referência metalinguística feita apenas para aumentar o sabor da obra, pois o que é narrado no “Memorial” é matéria completamente independente do romance anterior.  Esses detalhes aparecem na curta e fundamental “Advertência”, nota assinada por Machado, que abre a obra, cuja leitura é indispensável à correta interpretação do texto.  Nessa nota, outro detalhe essencial diz respeito ao período de dois anos em que as memórias foram escritas por Aires: 1888-1889.  Ou seja no ano da Abolição da Escravatura e no seguinte.  Então, a despeito de tantos e tantos aspectos de crítica de costumes, ironia e sutilezas (que são as marcas do autor), outro tópico sutilíssimo, de natureza ideológica se revela.  Conforme nos mostra Pedro Coelho Fragelli (Mestre e Doutor em Literatura Brasileira pela USP), em seu estudo, de 2007, intitulado “O Memorial de Aires e a Abolição”, o discurso (a narrativa) do conselheiro Aires, um diplomata aposentado, exibe, com total ironia, a ideologia da classe dominante perante o advento da Abolição.  E as marcas desse discurso, são, sobretudo, as do alheamento e a da inversão dos fatos.  Não falar dos assuntos, não discutir e analisar aquilo que incomoda era a tática um tanto cínica da elite dominante daquela época monárquica.  Aliás, talvez não só da época monárquica…  A outra estratégia, a da absurda inversão da realidade: os escravos alforriados eram vistos e apresentados pela elite como “devedores” de seus antigos senhores.  E, segundo os discursos da classe dominante (inclusive nos jornais de então), muitos libertos permaneciam ligados a seus antigos senhores e sinhás, não porque tivessem sido entregues ao abandono e à própria sorte (após a Abolição), mas supostamente o faziam porque nutririam para com seus antigos proprietários “laços de amizade e afeto”.  Tudo isso é mostrado, com muita inteligência e sutileza por Machado, nos momentos em que o conservador Aires quebra o silêncio predominante sobre o assunto da escravidão.  Embora esses momentos específicos sejam poucos, neles o tema da Abolição é expressamente tratado.  Mas é preciso saber ler e interpretar, pois, conforme Fragelli, muitos críticos não perceberam a sutileza machadiana e interpretaram como sendo dele, Machado, as opiniões que pertenciam a Aires, isto é, pareceres que eram extraídos daquilo que Machado lia e ouvia, ditos pela aristocracia de seu tempo.  Com essa matéria, construiu-se o protagonista machadiano.  Claro que se poderia alegar a ausência de um personagem crítico que encarnasse o contraditório.  Mas aqui é preciso lembrar que tal personagem seria improvável no âmbito da classe dominante, do qual o próprio Aires faria parte.  E, conforme Fragelli e outros autores por ele citados, Machado foi dos poucos que não embarcaram na farsa abolicionista.  Não que ele fosse contra a libertação dos negros.  Ele simplesmente nunca acreditou nela, pois o que ele percebia e criticava era o abandono a que se viam relegados os recém-libertos.  E que tudo fora realizado menos em favor dos escravos e mais em favor de uma nova realidade econômica que se impunha, inclusive, sob forte pressão do exterior.  Outro aspecto a considerar, é que Machado sempre foi um cultor do enigma.  Justamente por delegar a narrativa a personagens, o que chega ao leitor é a percepção dos fatos pela restrita visão deles.  Até hoje, por exemplo, ainda se discute se Capitu traiu ou não Bentinho (narrador do romance “Dom Casmurro. O posicionamento dúbio de Aires, sem dúvida, leva o leitor inteligente a ficar debatendo consigo mesmo (e com outros leitores) sobre qual seria a verdadeira posição de Machado.  E assim se vai mantendo o autor entre aqueles que despertam o maior interesse para o desenvolvimento de teses e ensaios sobre sua obra.  Seja como for, transcorridos tantos anos desde o lançamento, o “Memorial de Aires” é um livro cuja leitura se revela indispensável. (Ricardo Alfaya)

Nota: Nesta data, 10.07. 2018, baixei, gratuitamente, o ensaio de 14 páginas (em PDF) citado na sinopse, da autoria de Pedro Coelho Fragelli.  Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/nec/n79/10.pdf

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Informação adicional

Peso 305 g
Dimensões 21 x 14 x 1 cm
Idioma

Português

Estado do produto

Usado

Tipo de encardenação

Brochura

Editora

Ediouro (Rio de Janeiro)

Ano

1996

Páginas

116

Autor

Machado de Assis

ISBN

8500913177

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